sábado, 25 de junho de 2011

O Poder do Dinheiro

André Villas Boas já não é treinador do Futebol Clube do Porto. O jovem técnico foi contratado no início da semana pelos ingleses do Chelsea, graças à "persuasão" de Roman Abramovich. 15 milhões de euros, foi quanto custou a transferência, a maior de sempre de um treinador. Villas Boas tem nova cadeira de sonho, esta paga a peso de ouro.

Ao longo da época que findou, foram-se intensificando os rumores sobre interessados e possível transferência do agora, ex-treinador dos dragões. Liverpool, Inter de Milão, Juventus e, obviamente o Chelsea, foram os clubes de maior nomeada a serem associados ao técnico. De todos, aquele que sempre pensei que de facto teria hipóteses reais de o contratar, era o Chelsea. 
Os clubes italianos não parecem aperceber-se ou reconhecer do real valor de jogadores e treinadores portugueses. Recusam-se sempre a aproximar-se dos valores pedidos, afirmando que são preços desmedidos e que não estão de acordo com o real valor dos activos em questão. Daí já não se verem grandes jogadores portugueses a rumarem ao Calcio, como em tempos aconteceu com homens como Rui Costa, Futre, Fernando Couto, Dimas ou Sérgio Conceição. 
Quanto ao Liverpool, acredito que os novos donos vissem com bons olhos a chegada de AVB, mas a maioria dos adeptos não perdoaria a "traição" a "King" Kenny Dalglish, antiga glória dos reds (tanto como jogador como treinador), homem que surgiu no lugar de Roy Hodgson e ressuscitou o Liverpool. Além de que gastar 15 milhões num treinador, retiraria alguma margem de manobra ao clube para se movimentar no mercado em busca de reforços, algo que o Liverpool necessita.
Sobrava, portanto, o Chelsea. Orfão de treinador, depois da saída de Carlo Ancelotti, e sempre endinheirado graças aos bolsos fundos do seu proprietário russo. 15 milhões por um treinador pode parecer (ou até mesmo ser) uma exorbitância por um treinador, mas era o preço que estava estabelecido na cláusula de rescisão de Villas Boas, e sabendo-se a vontade de Pinto da Costa em manter o técnico, era o preço a pagar. E durante muito tempo, parecia mesmo que o casamento entre clube e treinador ia durar pelo menos mais um ano, tantas foram as manifestações de afecto e lealdade entre um e outro. Mas o dinheiro fala mais alto do que clubismo. 

Villas Boas tem agora um desafio enorme pela frente, e talvez ainda seja demasiado precoce para o assumir. Não ponho em causa a competência do treinador, bem pelo contrário. Questiono-me é se o mesmo será capaz de conseguir lidar com a pressão do dinheiro que custou e que vão custar os reforços que pedir a Abramovich. Porque Villas Boas não é Mourinho, não tem aquela capacidade para carregar com tudo às costas, libertando os jogadores da pressão (ou pelo menos ainda não a revelou). Se só a sua contratação custou 15 milhões, imagine-se se Falcao e Moutinho forem para o Chelsea, como se tem falado. Pinto da Costa já afirmou que ninguém será negociado, ou seja, quem quiser comprar, terá de pagar o que está previsto nas cláusulas. O colombiano custa 30 milhões e o centro-campista português 40 milhões. O goleador acredito que não será difícil ir parar aos blues. A relação qualidade/preço, juntamente com a idade e o rendimento apresentado nas duas épocas que leva na Europa, muito provavelmente fazem dele a melhor compra possível para qualquer grande clube em busca de um ponta de lança de topo. Agora quanto a Moutinho, a história é outra. Moutinho não é um artista, alguém que encante as plateias com fintas, golos e passes de morte. É antes um jogador discreto, mas trabalhador, lutador, com qualidade técnica e táctica que lhe conferem enorme importância nas manobras da equipa. Mas é discreto. E Abramovich para aceitar pagar 40 milhões por um médio, se calhar prefere alguém com outro estatuto, mais reconhecido internacionalmente. Caberá a Villas Boas (se o interesse for real) convencer o novo patrão das qualidades do nº 8 portista. Quanto a Hulk nem vale a pena falar. Nem o magnata russo é louco o suficiente para pagar 100 milhões. E PC, visivelmente chateado com a saída de AVB, deverá manter a palavra e não negociar abaixo das cláusulas de rescisão. Ainda para mais, estando tão iminente a saída de Falcao e de outros jogadores considerados negociáveis, como Fernando e Rolando.

Agora a questão que se coloca é a seguinte: estará o FCP tão forte como na época passada? Não sei. Villas Boas parece-me um motivador por excelência (desta característica ele não se pode desmarcar de Mourinho), capaz de virar o rumo de um jogo com uma palestra ao intervalo. Mas não ganhou o que ganhou sozinho. Vítor Pereira já foi treinador principal, embora o patamar mais elevado que atingiu (até ser promovido no Porto) foi treinar o Santa Clara na Liga de Honra. Mas enquanto esteve à frente dos açorianos, lutou pela subida até às últimas jornadas e, com a sua saída, o Santa Clara nem lá perto andou esta época. Teve um ano intenso, repleto de vitórias, durante o qual ele "bebeu" experiência de AVB, tal como ele "bebeu" da dele. Estas foram palavras usadas pelo novo treinador dos dragões, aquando da sua apresentação, tentando dar a entender que Villas Boas não foi o único responsável pelos sucessos da época. Quanto a Pinto da Costa, a aposta em Vítor Pereira pode ser encarada como uma de risco, mas a verdade é que o presidente portista já havia elogiado o novo técnico antes, dando a entender que ele poderia vir a ocupar o "trono do dragão", quando Villas Boas saísse. 

Agora com 15 milhões extra para gastar, aos quais se poderão juntar pelo menos mais 30, o FCP terá margem de manobra para se reforçar de forma convincente para a nova época, especialmente se tivermos em conta que o clube já tem 3 ou 4 reforços contratados desde Janeiro, provando que não tinha grande necessidade de realizar encaixe financeiro para atacar o mercado. Resta agora esperar pela nova época e ver se não acontece o mesmo que aconteceu na era pós-Mourinho, em que o dragão parou de respirar fogo durante uma época.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Champions League

Antes de mais, quero começar por explicar o porquê de só agora comentar a final da Champions... Ao contrário de muitos bloggers, eu tenho vida social! Posto isto, aqui vai:

O vencedor foi aquele que já se esperava. Muito se disse antes da final, especialmente da parte do Barcelona, que não eram favoritos, que tinham medo do Manchester, que os ingleses estavam mais fortes do que em 2009, etc e tal. Muita areia para os olhos. Falsa modéstia até. O Barça é a melhor equipa do mundo. Não há contestação possível quanto a isso. Quando jogam bem, jogam o melhor futebol que eu alguma vez vi ser jogado. Quando jogam mal, jogam melhor que a maior parte das outras equipas. No dia 28 de Maio, jogaram bem!

Ora bem, tal como em 2009, começou melhor o Manchester United, criando algumas situações de perigo, dando a ilusão de que poderia fazer frente aos catalães. Mas não passou disso mesmo, uma ilusão. Mesmo depois de terem igualado o marcador (bom golo de Rooney), passado pouco tempo depois de Pedro ter feito o primeiro para o Barcelona, o Barça nunca deixou de ter o controlo da partida. Na segunda parte foi o que se viu. Domínio total dos blaugrana, com o futebol rendilhado do costume, o tão enervante e, ao mesmo tempo, espectacular tiki-taka com que submetem todos (ou quase todos) os seus adversários.

Avaliando individualmente as principais figuras do jogo, começo pelo mais óbvio. Lionel Messi é o melhor jogador do mundo da actualidade. Custa-me um pouco ter que admitir isto, visto que sou português e aprecio muito as qualidades de Cristiano Ronaldo, mas tenho que me render perante as evidências. Mesmo não tendo sido brilhante (também não foi preciso), Messi foi determinante. Um golo e uma assistência fizeram dele o MVP da final. Mas a verdadeira estrela do jogo foi a equipa do Barcelona, pois fizeram uma exibição colectiva fenomenal. Mas voltando a Messi, o astro argentino já pode ir reorganizando as prateleiras lá de casa para juntar mais um troféu de melhor jogador do mundo. No ano passado não o justificou, mas este ano não restam grandes dúvidas de que voltará a arrebatar a Bola de Ouro. Deixando a Pulga de lado, passo para o outro lado da barricada. Wayne Rooney, de longe um jogador que merece mais e melhor da parte dos Red Devils. O inglês foi dos poucos que conseguiu remar contra a maré, que ainda conseguiu dar esperança aos adeptos do United, de que seria possível vencer. Mas quando não há mais ninguém a acompanhar, torna-se difícil. E isto leva-me a outra figura da partida, pela negativa. Alex Ferguson, surpreendeu tudo e todos com opções questionáveis quanto ao onze inicial. Nani, que foi dos, senão mesmo, o jogador mais regular do Manchester esta época, ficou no banco. Só para a Premiership, o internacional português marcou 9 golos e fez 18 assistências (recorde da Premier League). Contudo, já se sabia que havia a possibilidade de Nani não jogar de início, visto que a relação entre jogador e treinador já viu melhores dias. No entanto, podia acontecer que Ferguson engolisse um pouco do seu orgulho e optasse por apresentar os melhores jogadores de início, mas pelos vistos "burro velho não aprende truques". Mas, talvez ainda mais surpreendente do que deixar Nani no banco, foi a opção de nem sequer sentar Dimitar Berbatov no banco de suplentes! E logo o búlgaro que foi, apenas e só o melhor marcador da liga inglesa!!! Assim fica difícil ganhar.

Sendo assim, ganhou aquela que foi de longe a melhor equipa da final. Agora, quanto ao trajecto dos espanhóis até à final, houve momentos menos dignos. A expulsão forçada de van Persie em Camp Nou, quando o jogo com o Arsenal ainda estava empatado a zero (os ingleses tinham ganho em casa por 2-1), condicionou claramente os londrinos. Mas pelo decorrer da partida, penso que não seria necessário o árbitro dar esse empurrãozinho, pois o Arsenal estava a ser de tal forma sufocado que era apenas uma questão de tempo até o Barça marcar. E depois a meia final com o Real Madrid. Já muito foi dito sobre as arbitragens de ambas as partidas, nomeadamente por José Mourinho. O problema não está necessariamente no que foi dito, mas antes na forma como foi dito. Pessoalmente eu destaco dois momentos, um em cada partida. A expulsão de Pepe na primeira mão parece-me injusta. Não estou aqui a colocar em causa se houve ou não contacto, pois na verdade parece-me que houve (embora Daniel Alves tenha teatralizado um pouco). Mas a entrada de Pepe seria, na minha opinião, apenas merecedora de cartão amarelo, pois trata-se de uma entrada de pé em riste, sem maldade. Nestas situações é habitual mostrar um pouco de bom senso e analisar a situação de forma inteligente. Mas não foi o caso e o Barça aproveitou. Na segunda mão, há um golo anulado ao Real de forma absolutamente ridícula. Ronaldo que vai embalado sofre um toque, desequilibra-se e cai, tocando no calcanhar de Mascherano com as costas. A bola sobra para Higuaín que faz o golo, mas a jogada é anulada por falta de Ronaldo sobre o capitão da argentina. Isto com o jogo empatado. Decisões dúbias da arbitragem que parecem ser tomadas com o intuito de proteger os catalães, mas estes não precisam deste tipo de contribuição. A eles, basta jogar aquilo que sabem e pronto.

Agora, o próximo desafio que espera o novo Dream Team, é a Supertaça Europeia frente ao F. C. do Porto. Dificilmente o Barça perderá para o Dragões, mas quem tem Hulk e Falcao (entre outros) pode sempre sonhar com uma gracinha.

Aquele abraço