segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Portugal, Portugal... Do que é que estás à espera?

Já falei de vários assuntos, várias equipas, vários campeonatos. Mas ainda não me referi a Selecções, nomeadamente, à selecção portuguesa.

Como sabem, Portugal falhou o apuramento directo para a fase final do Euro 2012, a decorrer na Polónia e na Ucrânia. Podia ter terminado em primeiro lugar do seu grupo, se tivesse empatado ou vencido a última partida, frente à Dinamarca, segunda classificada do grupo. Infelizmente perdeu, de forma justa, por 2-1. Realizou uma exibição muito pobre, coroada com vários erros defensivos e uma tremenda falta de criatividade na frente de ataque. 
Avaliando os jogadores que foram seleccionados, podemos concluir que agora temos mais problemas de excassez de opções, do que para a posição de ponta de lança. Com o caso Ricardo Carvalho, Portugal viu-se com uma surpreendente falta de opções para uma das posições que não tenho lembrança de falta de alternativas. Sem o defesa do Real Madrid, o centro da defesa portuguesa tem apenas dois jogadores de topo, com qualidade para servir os interesses da selecção. Pepe e Bruno Alves são as escolhas óbvias na ausência de Carvalho. Não havendo a possibilidade de usar um deles (como aconteceu com a Dinamarca), o senhor que se segue é Rolando. O central do Porto é um bom defesa, mas sem muita técnica e é um pouco duro de rins. Com a Dinamarca notou-se ainda outro defeito. Em luta aérea, com jogadores de estatura semelhante, tem muitas dificuldades. O outro escolhido para esse jogo foi Sereno, defesa central do Colónia. O alentejano é rápido, tem técnica suficiente para passar por um lateral razoável, mas falta-lhe leitura de jogo e capacidade de antecipação para estar ao nível que é exigido para Portugal. E com 26 anos de idade, começa a perder margem de manobra para melhorar esses aspectos. Que outras alternativas tem Portugal para a posição? Poucas, pelo menos não vejo muitas no imediato. Tonel, de quem se falou que poderia ser o escolhido para render Ricardo Carvalho, já tem 31 anos e, a meu ver, nunca apresentou futebol que chegue para ser uma opção viável. De resto, vejo nomes como Daniel Carriço, Manuel da Costa, Miguel Vítor, Nuno André Coelho, Fábio Faria, Nuno Reis, Roderick Miranda e André Pinto como os nomes que têm saído das escolas de formação em Portugal, com trajectos regulares nas selecções jovens. Deles todos, os que mais prometeram foram Carriço e da Costa. O primeiro foi apontado como uma das maiores esperanças  da Academia do Sporting, tendo chegado a capitão de equipa após a saída de João Moutinho para o Porto. No entanto, com a crise que afectou os leões nas últimas épocas, o central parece ter estagnado na sua evolução. Esta época começou mal para ele, embora agora tenha aproveitado as lesões de alguns companheiros de equipa para se mostrar em bom plano novamente. Manuel da Costa é um caso de talento desperdiçado. O jogador que nasceu em França, fez a sua formação no Nancy, estreou-se na equipa principal muito novo e assumiu o papel principal numa luta entre as Federações de futebol francesa e portuguesa. Ganharam os lusos, o que raramente acontece. Kévin Gameiro é habitualmente convocado e há jovens como Vincent Nogueira à espera de uma oportunidade. Mas este tipo de situações serão abordadas mais à frente. Da Costa passou por PSV Eindhoven, Fiorentina, West Ham, sem que se conseguisse impor em nenhuma das equipas, estando agora na Rússia, onde parece ter reencontrado o bom futebol.
No meio campo, também se nota a falta de um criativo, que possa construir o jogo ofensivo da selecção. Rui Costa já lá vai e Deco também. Sobram Carlos Martins, Rúben Micael, João Moutinho e, a meu ver, Danny. O jogador do Zenit costuma ser utilizado como extremo na selecção, quando eu penso que poderia render mais se actuasse como nº10. Desde que Rui Costa abandonou a selecção que não há um verdadeiro médio ofensivo a organizar o jogo português. Deco preferia pegar no jogo mais atrás, tendo sido no momento da transição do Maestro para o Mágico, que Portugal abandonou o sistema em que jogava desde o Euro 2000, o 4-2-3-1, para passar a jogar em 4-5-1, desdobrável em 4-3-3. Passou de jogar com dois pivots defensivos, para apenas um, entregando a organização do jogo a dois médios box-to-box. Na conjuntura actual, penso que talvez fosse possível voltar ao 4-2-3-1, com Meireles e Moutinho como médios mais recuados e Danny nas costas do ponta de lança, onde o mesmo se sente mais à vontade e onde actua no Zenit. Dos escalões de formação, têm saído quase sempre médios com as características de um box-to-box. André Santos, Adrien e André Martins do Sporting, David Simão e Rúben Pinto do Benfica e Castro e Josué do Porto são os médios "criativos" que têm surgido. No Mundial de sub-20, o meio campo português era composto por Sérgio Oliveira (escolas do Porto), Danilo Pereira (escolas do Benfica) e Pelé (escolas do Belenenses), todos eles com características defensivas. Falta criatividade, tanto no drible como na construção de jogo, que já só se vê em jogadores como Moutinho, Carlos Martins, Meireles, Hugo Viana, Rúben Micael e Danny. E nenhum destes se aproxima do género de jogadores que eram Rui Costa e Deco, no que a construção de jogo diz respeito.
A tradicional posição crítica de Portugal, é a de ponta de lança. Postiga e Hugo Almeida são os preferidos de Paulo Bento e, os números apresentados na fase de apuramento por eles, justificam a aposta. Nuno Gomes tem sido o 3º homem. Agora no Braga, o antigo capitão do Benfica tem feito alguns golos, tendo recaído nas graças do seleccionador. No entanto, as suas chamadas reacendem um tema que parece nunca cair no esquecimento. João Tomás, goleador do Rio Ave, que marca golos com enorme regularidade, mas não parece fazer o suficiente para convencer P. Bento. Tem praticamente a mesma idade que N. Gomes, mas o estatuto e prestígio são muito diferentes. Nos últimos anos apareceram Orlando Sá, Rabiola, Yazalde, Rui Fonte, Saleiro, Yannick Djaló, Nelson Oliveira, João Silva, etc. Uns prometeram mais que outros, mas tenho as minhas dúvidas que algum deles se torne numa presença assídua nos próximos anos. 

A FPF tem de repensar a sua estrutura de futebol jovem. Sensibilizar os clubes para a formação e, colaborar com a Liga para limitar o número de jogadores extra-comunitários a actuar em Portugal. Tem, também, de apostar numa remodelação dos escalões jovens da própria federação. Os passos que levaram à conquista dos dois títulos mundiais de juniores, passaram por manter um núcleo duro de jogadores desde tenra idade até aos sub-20. Hoje em dia, vemos as convocatórias das selecções jovens a variarem consoante o jogador que está na moda. A introdução de ex-jogadores da "geração de Ouro" nos quadros da FPF, parece apontar nesse sentido, mas foi com Ilídio Vale a comandar as operações, que Portugal foi 2º classificado no último Mundial de Sub-20. Um homem com muitos anos de escalões jovens, tanto na selecção como no Porto, um professor, à semelhança de Nelo Vingada e Carlos Queiroz. E é desse tipo de homens que as selecções jovens precisam. De homens formados, com uma capacidade pedagógica acima da média, pois nessas idades formam-se homens para além de jogadores. 
Outra estratégia a ter em conta, passa pelo aproveitamento de jogadores de descendência portuguesa. Como já falamos, a FPF já o fez no passado, tendo travado algumas "batalhas" com outras federações. Manuel da Costa lá optou por representar a equipa das quinas, mas há outros que poderiam ser grandes "reforços" e recusaram o convite (Gameiro). No passado, Robert Pires e Corentin Martins, representaram a selecção francesa, sendo que o primeiro fez uma carreira de grande relevo. Convém avançar para este tipo de jogadores, quando eles estão com 15, 16 anos, para ter tempo de os sensibilizar, não quando já têm 18, 19 anos, e jogam nas primeiras equipas dos seus clubes, estando sujeitos a grande exposição. O papel das famílias é fundamental, pois se não for incutido um certo patriotismo, torna-se difícil para os jovens terem qualquer tipo de vontade de jogar por Portugal.
A naturalização de jogadores é outra via que tem sido seguida pela FPF. Deco, Pepe e Liedson, são casos de jogadores sem antepassados portugueses imediatos, que foram naturalizados, sendo que os dois primeiros, eu aceito a sua utilização. Vieram jovens para Portugal, tendo feito a fase final da formação cá e ficaram seleccionáveis com 24, 25 anos, ou seja, com muitos anos pela frente para poder ajudar a selecção. Deco esteve nos Europeus de 2004 e 2008 e, nos Mundiais de 2006 e 2010. Pepe marcou presença no Euro 2008 e Mundial 2010 e, a correr bem, marcará presença no Euro 2012. Liedson foi utilizado Mundial 2010, mas a sua idade e regresso ao futebol brasileiro fazem com que não seja uma alternativa viável. Não podemos ser obtusos ao ponto de fechar a porta a jogadores naturalizados. O futebol é multi-cultural, repleto de nacionalidades, jogadores africanos e sul-americanos que saem com 18/19 anos para a Europa, acabando por poder vir a representar outros países. Na Alemanha há Klose, em Itália, Camoranesi fez um trajecto interessante pela squadra azzura, Marcos Senna em Espanha, etc. Concordo com a utilização exclusiva de jogadores nascidos e/ou criados em Portugal, mas só se houver qualidade e quantidade suficiente.

Agora vamos disputar o play-off de apuramento frente à Bósnia-Herzegovina (mesmo adversário do play-off do último mundial), depois de falhar o apuramento directo, fruto de um arranque desastroso. É um adversário complicado, cada vez mais ao nível da Croácia e Sérvia. Homens como Dzeko, Pjanic e Ibisevic, são prova da qualidade que existe naquele país dos Balcãs. É um adversário complicado, mas ao alcance de Portugal, desde que não haja sobranceria na abordagem à eliminatória.
Com os jogadores actuais, se não houver lesões, Portugal deverá apresentar um grupo capaz de lidar com a pressão das duas mãos. No entanto, estamos muito limitados. Há qualidade mas não em quantidade. Para a baliza temos o jovem Rui Patrício, que parece ser a melhor escolha para o presente e futuro. Eduardo é suplente no Benfica (péssima decisão do guarda-redes em rumar aos encarnados), Beto está na Roménia, onde a visibilidade é muito pouca. Daniel Fernandes nunca confirmou o que prometeu e, agora joga no Panserraikos, por empréstimo do Panathinaikos. Quim está numa idade avançada, longe de reentrar de forma convincente nas opções de Paulo Bento. Também não há muitos jovens por aí que constituam grandes esperanças. Mika, actualmente no Benfica e guarda redes da selecção no último Mundial de sub-20, é o mais promissor. Ventura do Porto, parece estar longe do nível exigido para representar uma equipa como Portugal, apesar de já ter sido convocado. Na defesa, estamos bem servidos nas laterais, com Bosingwa (espero que Paulo Bento o convoque), João Pereira, Fábio Coentrão e Eliseu (em jogos de menor grau de exigência). O centro da defesa já foi discutido, resta apenas dizer que é preciso dar oportunidades aos jovens, para que joguem com regularidade e provem o seu valor. No meio campo temos Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho, Carlos Martins, Rúben Micael, Manuel Fernandes, Paulo Machado, André Santos, Rúben Amorim e Danny (falta o tal criativo). Nas alas continuamos com excelentes jogadores como Ronaldo e Nani, habitualmente secundados por Varela e Quaresma. Penso que Hélder Barbosa do Braga está a começar a justificar uma convocatória e que Vieirinha há muito que merece uma. Quanto ao centro do ataque já se sabe que não são muitas as opções, mas penso que Nelson Oliveira e João Silva são os que mais prometem actualmente, podendo vir a merecer uma oportunidade, quem sabe, na próxima fase de apuramento.

Reformular escalões de formação, melhorar a prospecção de jogadores seleccionáveis no estrangeiro e aproveitamento de jogadores com dupla nacionalidade numa idade jovem são as medidas que Portugal pode tomar para voltar a ter um número considerável de opções de qualidade.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

The road so far...

Começo por pedir desculpas aos seguidores deste blog por não publicar artigos há bastante tempo. Vocês os dois merecem mais!

Ora bem, aqui vou analisar as prestações e momentos de forma dos 3 grandes, do intruso do costume e da surpresa do campeonato. Também vou referir as perspectivas de futuro para estes clubes e que erros cometeram e, também que decisões tomaram que potenciaram a qualidade das respectivas equipas.

BENFICA
As águias estão a fazer um campeonato dentro das expectativas. Estão na primeira posição, empatados com o F.C. do Porto, e na Champions também estão na liderança do seu grupo.
Até ao momento, as exibições do Benfica têm sido regularmente positivas, embora sem encantar. As melhores prestações foram frente ao Manchester United e F.C. do Porto e, ambas traduziram-se em empates. 

Em Agosto, critiquei a política de contratações do Benfica por considerar que era má gestão dos encarnados comprar um número tão grande de jogadores, sem se darem ao trabalho de contratar dois jogadores de qualidade para cada posição (no mínimo). Até ao momento ainda não houve nenhuma situação em que se constatasse alguma fragilidade gritante na composição do plantel, se bem que já houve alguns sinais. Com a recente lesão de Maxi Pereira, sobram dois jogadores com rotinas de lateral direito no plantel. Mas, nenhum deles é lateral! Rúben Amorim que é médio centro e Miguel Vítor que é defesa central. Quanto a mim, nem Amorim que tem mais rotinas na posição me convence. Na outra faixa lateral surge outro problema. Emerson tem sido o titular indiscutível de Jesus, tendo disputado todas as partidas à excepção da 2ª jornada do campeonato. Capdevilla, campeão europeu e mundial pela Espanha, não conta para JJ, o que na verdade nem é tão surpreendente assim. Afinal de contas, com o que se passou com Nuno Gomes na época passada, já tinha dado para perceber que para o treinador do Benfica, os jogadores têm um prazo de validade e, o espanhol tendo 33 anos, está longe de figurar nas preferências de Jesus. Isto acaba por ser mais um erro de casting. Os dirigentes, sabendo a aversão que Jesus tem a jogadores na casa dos 30, deveriam ter procurado alguém com uma folha salarial mais modesta, e com margem de progressão. Mas a vontade de poder dizer que contrataram um titular da melhor selecção do mundo falou mais alto. Emerson, que foi expulso frente ao Basileia (num jogo em que fez uma exibição bastante pobre), não tem ninguém que possa substituí-lo no próximo jogo europeu, visto que Capdevilla nem inscrito na Champions foi!

No entanto, reconheço que com alguns ajustes em Janeiro e com cuidados redobrados na condição física dos jogadores, o Benfica poderá realizar uma época muito boa.

PORTO
O campeão em título está muito abaixo das expectativas, especialmente na Liga dos Campeões. Para o campeonato lá vai em primeiro lugar, empatado com o arqui-inimigo, embora sem realizar exibições verdadeiramente convincentes. 

Também o Porto cometeu erros no mercado de transferências. Renovar contrato com Falcao, tornando-o num jogador com um salário irreal para a realidade portuguesa, para vendê-lo abaixo da recém estabelecida cláusula de rescisão, pode parecer uma boa jogada, mas para mim penso que foi mal pensado por Pinto da Costa. Podiam ter precavido esta situação, renovando antes do final da época, tinham a cláusula estabelecida mais cedo e podiam tratar de contratar um substituto atempadamente. Assim, acabaram por ter que tratar de todas estas negociações a poucos dias do final do mercado de transferências, o que impediu o clube encontrar alguém capaz de fazer esquecer El Tigre (o que já seria extremamente difícil, mesmo que tivessem tratado de tudo uns meses antes). As contratações de Danilo e Alex Sandro, também acabam por ser caprichos de PC, pois foram contratados para posições que não estavam fragilizadas. É verdade que Álvaro Pereira esteve muito perto de rumar ao Chelsea, o que faria com que a contratação de Alex Sandro fosse uma jogada de antecipação. Acaba por ser um mal menor, visto que Emídio Rafael só voltará a competir na próxima época, uma vez que foi esta semana sujeito a nova operação. 

Em termos de futebol jogado, os dragões estão muito longe daquilo que demonstraram na época passada. Não se pode dizer que a equipa esteja mais fraca, mesmo com a saída de Falcao a não ser colmatada. As outras áreas do terreno foram reforçadas com jogadores de qualidade e com margem de progressão, como Defour, Mangala, Iturbe, entre outros. Nota-se é uma falta de confiança e motivação, o que nunca sucedeu na época passada. No campeonato, os serviços mínimos têm sido assegurados, mas na Liga dos Campeões o rendimento da equipa está muito aquém do desejado, embora ainda seja perfeitamente possível remediar os acidentes de percurso que tiveram até ao momento. Falta é saber se Vítor Pereira terá estofo para dar a volta aos acontecimentos. 

BRAGA
Os bracarenses têm realizado uma época bastante semelhante à do Porto. Para o campeonato estão dentro das expectativas, estão até com mais pontos do que no mesmo período da época passada. Na Liga Europa têm desiludido um pouco, visto que, são de longe a equipa com mais qualidade do seu grupo.

O plantel sofreu mais uma revolução, fruto da época histórica que realizaram. A defesa foi o sector que mais se ressentiu, sendo que, dos habituais titulares da temporada passada, não ficou um único jogador! O encaixe financeiro foi fundamental e permitiu-lhes reunir um plantel que, na teoria, lhes permitirá realizar uma época à semelhança dos últimos anos. No entanto, parece-me que o clube não fará grande prestação na Europa, em virtude da inexperiência da defesa e até do próprio treinador. Aliás, prevejo o mesmo destino para o F.C. do Porto.

Acredito que o Braga será mais uma vez a 4ª potência portuguesa, mas sem o fulgor demonstrado em temporadas passadas, em particular no período em que Domingos esteve à frente da equipa.

MARÍTIMO
Os insulares têm sido a grande surpresa até ao momento. Sem participação nas competições europeias, pode centrar todas as atenções nas competições nacionais e, quiçá, realizar uma época sem percalços e a morder os calcanhares aos grandes. 

Não se verificaram muitas alterações no plantel, o que até é raro no Marítimo. Isto garantiu uma maior estabilidade, consolidada pela manutenção do treinador (excelente trabalho realizado por Pedro Martins). Outra razão para o excelente arranque de campeonato dos verde-rubros foi a permanência de Babá. O jogador foi contratado pelo Celtic de Glasgow mas, devido ao facto de que a transferência foi finalizada muito em cima do fecho do mercado de transferências, foi acordado que o senegalês só viajará para a Escócia em Janeiro. Até ao momento, o ponta de lança já apontou 6 golos, sendo o melhor marcador da Liga, a par de Cardozo. 

O Marítimo dificilmente conseguirá manter esta forma até ao final da época mas, se conseguirem colmatar a partida de Babá, terão excelentes probabilidades de assegurar um lugar europeu, ainda por cima se tivermos em conta os maus inícios de época do Vitória de Guimarães e Nacional da Madeira, outros candidatos à Europa.

SPORTING
Bem, costuma dizer-se que o melhor fica para o fim e, neste caso, fica para o fim a equipa que, na minha humilde e modesta opinião, melhor futebol está a praticar em Portugal. O Sporting operou uma revolução drástica no plantel, fazendo all-in esta época! 

Foram contratados 14 novos jogadores, mais o regresso de André Martins de empréstimo e a inscrição de Ilori. No total são 16 novas caras num plantel com 26 jogadores! Gastaram vários milhões de euros, realizando um investimento bastante elevado, como há muito não se via em Alvalade, tendo pulverizado o recorde de transferências do clube, ao contratar Elias ao Atlético de Madrid, por 8.850.000€! Apesar de Godinho Lopes e os seus homens fortes para o futebol, Luís Duque e Carlos Freitas, apenas terem concretizado uma das várias promessas eleitorais (Rodríguez), conseguiram contratar jogadores de qualidade acima da média, jovens e com margem de progressão. van Wolfswinkel, Capel, Elias, Carrillo (que bela surpresa), Rinaudo, Jeffrén, Bojinov, Schaars e companhia vieram conferir maior qualidade e equilíbrio ao plantel. Domingos Paciência confirmou que as duas épocas em que esteve à frente do Braga não foram obra do acaso, o que faz com que o jovem treinador português esteja finalmente a convencer gregos e troianos que ainda duvidavam das suas qualidades.
Apesar de um início de campeonato a fazer lembrar os últimos (penosos) anos, foi em Paços de Ferreira que se deu o momento de viragem. A perder por 2-0, já a meio da segunda parte, o Sporting (motivado pela expulsão de um jogador adversário) operou a reviravolta no marcador, vencendo uma partida num dos terrenos mais complicados da liga. A excelente exibição realizada frente ao Vitória de Setúbal, na jornada seguinte, catapultou os leões para uma série que já vai em 9 vitórias consecutivas (campeonato, Taça de Portugal e Liga Europa), o que deixa o Sporting na segunda posição da competição, empatado com Braga e Marítimo, a apenas 3 pontos do duo de líderes e, com apenas 3 partidas disputadas, os verde e brancos já garantiram a passagem aos 16 avos de final da Liga Europa (primeira vez que tal sucede numa competição europeia). Devo admitir que estou ansioso pelo confronto entre Sporting e Benfica, pois creio que tem potencial para ser mais um jogo épico, como os célebres 3-6 para o Benfica ou os 5-3 para o Sporting.

A continuar assim acredito que o Sporting estará na luta pelo campeonato até ao final, ombreando com Porto e Benfica (e talvez até o Braga), o que é aquilo que é preciso para o futebol português manter-se ao nível elevado que demonstrou na última década. 

Bem vindo de volta Sporting, já tinha saudades!